Quando a gente lê “Complexo” já assusta, eu sei. Mas é complexo porque é COMPLETO.

É só um jeito de simplificar um conjunto de 8 vitaminas diferentes que agem no metabolismo das nossas células: Vitaminas B1, B2, B3, B5, B6, B7, B9 e B12.

Por ser oito tipos diferentes de vitaminas, as ações são inúmeras. Todas elas não são produzidas pelo organismo, então precisam ser ingeridas todos os dias, via alimentação e/ou suplementação.

Elas estão envolvidas no metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas. Por isso, são tão importantes para diversos processos. Veja só:

1. Energia e disposição

As vitaminas do complexo B participam de muitas reações do nosso corpo, inclusive a que transforma tudo o que consumimos (carboidratos, gorduras e proteínas) em forma de energia. Portanto, na redução dos níveis dessas vitaminas, há queda na produção de energia e, consequentemente, na disposição. Para quem pratica atividade física essas não podem faltar, já que consomem mais destas vitaminas do que pessoas sedentárias, por mais que consumam na alimentação, a suplementação é sempre benéfica.

 2. Doenças cardiovasculares

As vitaminas do complexo B, especialmente o ácido fólico (B9) e a B12, quando estão em níveis insuficientes no sangue, estão associadas com altos níveis de homocisteína, atualmente considerada um fator de risco independente e muito grande para doenças do coração. Além disso, concentrações elevadas de homocisteína no cérebro estão associadas com risco aumentado de lesão cerebrovascular e neurotoxicidade.

3. Anemia megaloblástica

Só ouvi falar da anemia clássica por deficiência de ferro, não é mesmo?

Entretanto, a falta de vitamina B12 leva à anemia, sendo por falta do seu consumo ou por problemas na sua absorção. Na deficiência de B12, agravada com a deficiência de ácido fólico responsável pela replicação do nosso material genético (DNA), ocorrem alterações na produção de glóbulos vermelhos, chamados também de hemácias, no sangue. O resultado é que os glóbulos não conseguem se formar corretamente, então apresentam tamanhos maiores do que o normal.

A absorção de B12 depende do estômago e intestino saudáveis. Pessoas com gastrite atrófica ou doenças intestinais (como doença celíaca ou de Crohn), em uso continuo de antiácidos e alto consumo de bebidas alcóolicas, assim como pessoas que fizeram cirurgia para reduzir o estômago (gastrectomia e bariátrica) precisam ficar de olho nos níveis de B12, já que normalmente há deficiência. Outro grupo de atenção são os vegetarianos: como a maior fonte de B12 encontra-se na carne, portanto, a sua suplementação é comumente indicada por especialistas. Além disso, em dietas restritivas em calorias, normalmente o consumo de nutrientes fica comprometido, portanto dietas para emagrecer precisam ser feitas com cautela.

 4. Saúde dos cabelos

Para os nutrientes atingirem nossos fios, precisamos ingerir em quantidades suficientes. Isso porque o corpo prioriza outras reações em detrimento da saúde dos cabelos. É importante comer muitos vegetais diferentes, frutas, grãos integrais e ovos/carnes magras.

Para o cabelo existe uma vitamina específica, a biotina, conhecida como vitamina B7. Ela é responsável pelo crescimento e manutenção dos cabelos e na sua deficiência, o principal sintoma é a queda dos fios de maneira intensa.

 5. Saúde mental ou cognitiva

Enquanto a deficiência de vitamina B9, conhecida como ácido fólico, está correlacionada à depressão, a deficiência de vitamina B12 está associada à neuropatia periférica. Ambas podem causar demência e deficiência cognitiva, doenças mais frequentes em adultos a partir dos 60 anos. Existe uma correlação entre o envelhecimento e o declínio de níveis plasmáticos de vitamina B12 a tal ponto que cerca de 20% daqueles com 60 anos apresentam insuficiência desta vitamina, portanto, para prevenir, é necessário consumir níveis suficientes de B12 desde a vida adulta.

 6. Deficiência do complexo B

A deficiência destas vitaminas leva a sintomas graves, como por exemplo alterações na pele e no sistema nervoso central, tremores e degeneração de neurônios, assim como anemia.

Portanto, o seu consumo não apenas mantem o corpo saudável mas também previne muitas doenças com consequências graves, por isso é muito importante ficar de olho no seu consumo. Faça exames, procure um profissional que possa indicar se você possui deficiências do complexo B, e a suplementação pode ser interessante.

Ref. bibliográficas

  1. Vitamin B -12 status, particularly holotranscobalamin II and methylmalonic acid concentrations, and hyperhomocysteinemia in vegetarians Am. J. Clinical Nutrition, Jul. 78: 131 – 136, 2003.
  2. BRYAN, J.et al. Short-Term Folate, Vitamin B-12 or Vitamin B-6
    Supplementation Slightly Affects Memory Performance But Not Mood in Women ofVarious Ages J. Nutr.,132: 1345-1356, 2002.
  3. PANIZ, C. et al. Fisiopatologia da deficiência de vitamina B12 e seu diagnóstico laboratorial, J Bras Patol Med Lab, v. 41, n. 5, p. 323-34, 2005.
  4. NOVAES, M.R.C.G. et al. Suplementação de micronutrientes na senescencia: implicações nos mecanismos imunologicos. Rev. Nutr, v.18, n.3, 2005.
  5. GOULARTE, F.H., et al. Deficiência de ácido fólico e vitamina B12 em idosos: uma revisão.Rev. Amazonense de Geriatria e Gerontologia, n.1, p.53-62, 2013.

 

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