O que você está fazendo hoje, para chegar bem aos 60?

Quais são seus planos para o futuro?

Na correria do dia a dia é difícil encontrar um tempo para reflexões de longo prazo, como pensarmos quais são os hábitos e atitudes importantes para chegarmos bem à maturidade. Estamos sempre tentando resolver o agora, os desafios de hoje, de amanhã e, no máximo, do próximo mês. Mas pensar agora sobre isso é essencial para garantir um futuro com qualidade daqui a pouco, e quando antes chegarmos a essa conclusão, melhor. Não dá para se preparar para os sessenta anos de idade aos cinquenta e nove, não é mesmo? E o tempo passa muito rápido. A conta da previdência privada, ou do valor necessário que precisamos poupar para contarmos com uma renda extra lá na frente, é um dos alertas de que precisamos pensar nisso agora: quem a faz invariavelmente pensa: ‘Deveria ter começado a guardar antes’. Porque nesse cálculo o tempo de contribuição tem um peso muito maior que o próprio valor a ser poupado. E a mesma lógica vale para os cuidados pessoais e para hábitos corretos que precisamos aprender a cultivar desde cedo.

Ter saúde não significa viver sem doenças.

Egydio Dorea, médico responsável pelo programa de envelhecimento ativo da Universidade de São Paulo (USP), costuma dizer que boa saúde nos 60+ não é apenas ausência de doença, pois saúde não envolve apenas o bem-estar físico. Entra em jogo também a plenitude mental e social, o sentir-se pertencer a algum grupo, sentir que faz a diferença. As taxas de depressão e ansiedade, bem como de isolamento social e a solidão têm aumentado no Brasil e no mundo, e evitar esse ‘mal moderno’ passa necessariamente pela integração social. A dica dos especialistas é apostar em convívio, relacionamentos, o que também é chamado de capital social, que significa estar aberto a fazer novas amizades, cultivar as antigas, e praticar a troca de experiências entre pessoas de gerações distintas.

Então, para se ter uma vida incrível lá na frente, quais são os cuidados essenciais?

Tão importante quanto os cuidados com a cabeça são os que devemos ter com o corpo. Investir em qualidade de vida inclui apostar em uma alimentação rica e balanceada – de maneira geral, consumir mais produtos in natura e menos os industrializados – em fazer atividades esportivas e em dormir bem. Na alimentação, é importante considerar a necessidade de suplementação, com bom aporte de nutrientes, vitaminas e minerais em cada faixa etária, atuando de forma preventiva. O equilíbrio entre esses fatores contribui para a prevenção de doenças como pressão alta, muito comum nas pessoas com 60 anos de idade ou mais, combate a obesidade, também considerada fator de risco, entre outros males. Caminhada, hidroginástica, natação, pilates: existem atividades para todo s os gostos, muitas delas gratuitas em locais públicos e centros de convívio. Escolha uma que te dê prazer – ou uma combinação de algumas delas – de preferência com a orientação de um médico que ajude a selecionar qual a melhor prática para seu perfil com foco na prevenção de doenças. A lógica da prevenção, aliás, deveria ser o modelo de todo nosso sistema de saúde, hoje baseado no tratamento de doenças. Mas fica para um próximo artigo falar de políticas públicas, ou maneiras de se preparar para a chegada da idade ‘da porta para fora’.

Mudança de atitude de vida: só depende da gente.

Muitos dos fatores que podem garantir uma vida longa, com autonomia e qualidade, estão ao nosso alcance. Mas elas passam por uma mudança de hábitos, que pode ser difícil. Por isso quanto antes começarmos, mais adaptados estaremos no futuro. O primeiro passo, sempre, é a conscientização. Vale o exercício diário de reflexão – e de ação – para todas as idades: o que posso fazer hoje para chegar bem aos sessenta anos de idade?

Por Daniela Saragiotto, Jornalista Parceira Vem, Vida.

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