Siglas podem ser difíceis, eu sei. Parece mais uma palavra científica que não tem nada a ver com você. Entretanto, estas três letras estão fazendo parte dos estudos, de artigos, de notícias no meio da saúde e, o mais importante, tem ação promissora. Deste modo é importante compartilhar com você o que elas significam e qual o efeito positivo em nosso corpo.

Afinal, o que significa DHA?

O DHA corresponde ao ácido docohexapentaenoico, uma gordura poliinsaturada do tipo ômega 3. O nome é difícil, por isso a sigla DHA decolou.

Como toda gordura do tipo ômega 3, a sua estrutura é diferente e especial, assim como o EPA (lembra dele? Veja o texto sobre ômega 3 aqui) e é encontrada na alimentação, por meio de peixes de águas frias e profundas, de algas marinhas e óleo de sementes como chia e linhaça.

Enquanto o EPA tem o papel de ajudar na proteção do coração, o DHA cuida do sistema nervoso central e retina dos olhos, por isso é tão importante saber mais sobre ele1-2.

Nosso cérebro é muito rico em gorduras do tipo ômega 3 e estudos mostram que um adulto contém 10 a 15% de DHA, principalmente na retina dos olhos e no cérebro. Por ser um tipo de gordura que o corpo não é capaz de produzir, seu consumo regular é superimportante, em alimentos e suplementos quando necessário1-2.

Como o DHA funciona?

O DHA, quando consumido, passa a fazer parte das nossas células e isso ajuda no bom funcionamento delas, principalmente no cérebro e nos neurônios. Com o passar dos anos, é comum acontecer o declínio do desempenho cognitivo, ou seja, de aprendizado e formação de memória podendo levar aos esquecimentos frequentes, à demência e até mesmo à doença de Alzheimer, tão temida por todos.

A alimentação é um fator muito estudado na prevenção e melhora da saúde do sistema nervoso, já que hábitos saudáveis podem mudar o rumo dos últimos anos de vida e, afinal, é isso o que buscamos: envelhecer com qualidade de vida3-7.

Nutrientes podem influenciar na memória?

Estudos demonstram que a falta de nutrientes importantes pode afetar o bom funcionamento cognitivo, como por exemplo as vitaminas do complexo B e gorduras do tipo ômega 9 e 3. O consumo regular de ômega 3, mais especificamente do DHA, pode ajudar na prevenção do declínio cognitivo em adultos acima de 60 anos de idade. Os estudos comentam que o DHA pode manter uma certa fluidez entre neurônios, preservando assim as conexões nervosas e a passagem da informação4.

DHA e seus benefícios

O aumento da concentração de DHA no cérebro está positivamente associado as mudanças de comportamento e cognição, assim como adultos mais velhos com demência apresentam níveis sanguíneos de ômega 3 menores do que aqueles que não possuem, segundo Antonio Cherubini e colaboradores (2007) e Fredrik Jernerén e colaboradores (2015)3-7.

Outro estudo interessante de 2002 apontou que a suplementação com 1,5 gramas de DHA por dia durante dois meses foi benéfica na redução da agressividade em trabalhadores com idade entre 50 a 60 anos10.

Diversos estudos evidenciam a importância do ômega 3 na formação do sistema nervoso central e da visão dos bebês ainda durante a gestação, o que mostra mais uma vez a importância desta gordura como parte estrutural do cérebro e retina2.

É claro que é preciso explorar muito mais a complexidade das doenças que acometem o sistema nervoso e, por consequência, todas as formas de tratamento e prevenção. Por isso, hoje os estudos com o DHA são muito promissores e cada vez mais profissionais indicam o seu uso como preventivo destas doenças neurodegenerativas, já que seu uso não gera efeitos colaterais e pode ajudar na prevenção de doenças relacionadas ao sistema nervoso.

O DHA também participa da saúde dos olhos e está concentrado na parte da retina, a grande responsável pela nossa visão. Por isso, está sendo cada vez mais estudado o seu papel na manutenção da acuidade visual da retina ao longo da vida, desde a sua formação no feto até o envelhecimento8.

Qual a quantidade ideal de DHA por dia?

Desde a formação do ser humano na gestação até o final da vida, o DHA tem papel importante no bom funcionamento do corpo e parece trazer muitos benefícios, tanto para o desenvolvimento, como para a prevenção de doenças do sistema nervoso central e de retina.

Ainda são necessários mais estudos para esclarecer melhor o seu papel e a quantidade adequada para as diferentes fases da vida, entretanto, a média do consumo nos estudos fica em 1,5 gramas de DHA por dia. E, por conta disso, a suplementação é indicada, já que para atingir esta recomendação seria necessário consumir peixes gordurosos11 diariamente.

Para você entender melhor, veja um exemplo:

O consumo de duas a três vezes por semana de peixes ricos em ômega 3, como atum, truta, cavala, sardinha e salmão, totaliza apenas 500mg de ômega 3 por dia, sendo maior a concentração natural de EPA do que de DHA nos peixes. Portanto, o consumo destes alimentos teria que ser diário, em grande quantidade, para ultrapassar 1 grama de DHA por dia, o que encontramos facilmente em suplementos de DHA11.

Finalizando, se a sua alimentação não atinge as quantidades de consumo sugerida, uma excelente alternativa é completar a quantidade indicada com suplementação DHA.

Ref. bibliográficas

  • SANTOS R.D., GAGLIARDI A.C.M., Xavier H.T., Magnoni C.D., Cassani R., Lottenberg A.M. et al. Sociedade Brasileira de Cardiologia. I Diretriz sobre o consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular. Arq Bras Cardiol.;100(1Supl.3):1-40, 2013.
  • LIMA, M.F. et al. Ácido Graxo ômega 3 docohexaenóico (DHA: C22:6 n-3) e desenvolvimento neonatal: aspectos relacionados a sua essencialidade e suplementação. Soc. Bras. Alim. Nutr. v.28:65-77, 2004.
  • Smollich, M. Omega-3 fatty acids and brain function. Ernahrungs Umschau 62(10): 170–177, 2015.
  • Sonia González, José M. Huerta, Serafina Fernández, Ángeles M. Patterson & Cristina Lasheras. The relationship between dietary lipids and cognitive performance in an elderly population.  Journal of Food Sciences and Nutrition, 61:2, 217-225, 2009.
  • CHERUBINI, A., Andres-Lacueva, C., Martin, A, et al. Low plasma N-3 fatty acids and dementia in older persons: the InCHIANTI study. J Gerontol A Biol Sci Med Sci; 62, 1120–1126, 2007.
  • Ernst J. Schaefer, MD; Vanina Bongard, MD, PhD; Alexa S. Beiser, PhD; et al. Plasma Phosphatidylcholine Docosahexaenoic Acid Content and Risk of Dementia and Alzheimer DiseaseThe Framingham Heart Study. Arch Neurol. ;63(11):1545-1550, 2006.
  • Hasan Mohajeri, Barbara Troesch, Peter Weber M.D. Inadequate supply of vitamins and DHA in the elderly: Implications for brain aging and Alzheimer-type dementia. Nutrition 31; 261–275, 2015.
  • SANGIOVANNI, J.P., CHEW, E.Y. The role of omega-3 long-chain polyunsaturated fatty acids in health and disease of the retina. Progress in Retinal and Eye Research ;24; 87–138, 2005.
  • JERNEREN, F. et al. Brain atrophy in cognitively impaired elderly: the importance of long-chain v-3 fatty acids and B vitamin status in a randomized controlled trial. AJCN. April 15, 2015.
  • HAMAZAKI, T. et al. The Effect of Docosahexaenoic Acid on Aggression in Elderly Thai Subjects-a Placebo-controlled Double-blind Study. Nutritional Neuroscience, v.5 (I), pp. 37-41, 2002.
  • GEBAUER, S.K., PSOTA, T.L., HARRIS, W.S., KRIS-ETHERTON, P.M. n-3 fatty acid dietary recommendations and food sources to achieve essentiality and cardiovascular benefits. Am J Clin Nutr.;83:1526S–1535S, 2006.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *