Tudo que você precisa saber sobre as Estatinas e Colesterol. E mais 11 dicas para manter distância das doenças cardiovasculares.

A maior causa de morte no mundo: doenças do coração.

A maior causa de morte no mundo são as temidas doenças do coração. Cerca de 17,9 milhões de pessoas morrem de doenças cardiovasculares no mundo todos os anos, vítimas de acidentes vasculares cerebrais e ataques cardíacos, segundo a Organização Mundial de Saúde, representando aproximadamente 31% de todas as mortes globais (OMS, 2016).

Com esse preocupante aumento, são elaborados cada vez mais estudos e diretrizes em busca de uma resposta para a prevenção e controle destas doenças, a fim de reduzir essas taxas de mortalidade.

Entre os pontos mais importantes, destaca-se o nível de colesterol no sangue e sua relação com as doenças do coração. Vamos abordar o que é o colesterol e as demais gorduras que temos no sangue, a sua relação com a saúde do coração e o uso de estatina como medicamento para controlar o seu nível no sangue, destacando seu efeito no organismo, inclusive os colaterais, como a depleção de coenzima Q10.

Colesterol, quem nunca ouviu falar dele?

Sabemos que todos nós temos colesterol e medimos seus níveis no sangue. Existem: Colesterol total, LDL- colesterol, HDL-colesterol. Um é considerado ruim, prejudicial à saúde quando em níveis elevados e o outro é visto como bom, com efeito cardioprotetor.

Vamos falar um pouco sobre gorduras que encontramos no corpo para que você entenda melhor sobre o assunto.

  • Lipídeo é um termo generalizado para a molécula de gordura.
  • O ácido graxo é uma unidade de gordura que forma os triglicérides, estrutura formada por três unidades de ácido graxo ligada ao glicerol que é a principal forma na qual armazenamos gordura no corpo.
  • colesterol é um tipo de gordura que está presente na estrutura de todas as células do corpo. Grande parte do colesterol circulante no sangue (cerca de 70 a 80%) é produzido pelo fígado, enquanto que apenas o restante provém da alimentação.

O colesterol é muito importante para a saúde, porque:

– Faz parte da estrutura de todas as células do corpo (fosfolipídeos)

– É fundamental para a produção de hormônios sexuais e cortisol

– Participa da produção de vitamina D e sais biliares (estrutura importante para a absorção de gorduras no intestino.)

Viagem pelo nosso corpo

Para ser transportado pelo sangue, todas as gorduras, entre elas o colesterol, precisam se ligar a proteínas, que chamamos de lipoproteínas, já que o sangue é aquoso e o colesterol é gorduroso, ou seja, não se misturam.

Ao consumir alimentos fonte de gordura, basicamente na forma de triglicerídeo, nosso processo digestivo quebra essas partículas até se formarem os ácidos graxos que absorvemos no intestino, junto com o colesterol dos alimentos e dos sais biliares. As gorduras vão para a circulação e chegam ao fígado, o órgão que produz as lipoproteínas como a LDL e HDL para, assim, liberar gordura e colesterol ao corpo.

Quem carrega o colesterol produzido pelo fígado e da alimentação é a LDL, chamado de “mal colesterol”, que leva este colesterol do fígado para as células do corpo.

Quem faz o transporte reverso, ou seja, das células para o fígado, é a HDL, considerado “bom colesterol”.

Falar de colesterol é complexo, mas importante. E o mais importante é ter equilíbrio.

Vamos falar sobre da LDL e o risco de doenças do coração

A LDL é uma partícula que carrega o colesterol recebido pelas células. Quando está muito alterado no sangue, seja muito abaixo ou muito acima, leva ao aumento da mortalidade.

Portanto, o LDL-colesterol não é ruim, mas seus níveis precisam estar em equilíbrio.

A grande chave para a produção desta LDL está no fígado: Existe uma enzima que chamamos de HMG-CoA redutase, ela é a principal responsável pela produção de colesterol no fígado e, por consequência, aumento no número de partículas de LDL que levam esse colesterol produzido ao sangue.

Qual a ligação do colesterol com doença do coração?

As doenças do coração se iniciam com o processo de aterosclerose.

Calma, não se assusta com esses nomes. Esse é o termo que damos aos vasos que ficam mais espessos e, popularmente, isso é chamado de “entupimento de artéria”.

O vaso sanguíneo começa a capturar moléculas de LDL-colesterol no sangue, retém na parede do vaso e inicia a oxidação deste LDL que leva ao processo inflamatório e assim se formam as estrias gordurosas e as conhecidas placas de ateroma. A partir destas complicações, ocorre formação do trombo, determinando as principais complicações da aterosclerose: infarto agudo do miocárdio e Acidente Vascular Cerebral.

O que influencia no surgimento das placas nos vasos?

Os principais fatores de risco são:

-Tabagismo

-Hipertensão arterial

-Diabetes mellitus

-Dislipidemias- níveis de triglicérides e/ou colesterol alterados, principalmente o LDL colesterol. Por isso, os níveis de colesterol tem ligação com as doenças do coração.

Tá! Mas por que o colesterol aumenta?

As dislipidemias são as alterações em nível sanguíneo do colesterol, que pode ocorrer quando há aumento apenas do colesterol, e/ou do LDL-colesterol e/ou dos triglicérides ou ainda quando se associa ao HDL-colesterol baixo.

As causas para as dislipidemias são diversas e não apenas alimentares como se pensava:

  • Causa primária, de origem genética.
  • Estilo de vida sedentário.
  • Menopausa.
  • Tabagismo.
  • Consumo de bebida alcoólica (etilismo).
  • Obesidade.
  • Consumo de gorduras trans.
  • Hipotireoidismo.
  • Uso de medicamentos como anticoncepcionais e hormônios sexuais assim como alguns diuréticos.
  • Doenças hepáticas.

O surgimento das Estatinas

Entretanto, o colesterol alto no sangue não é o único motivo para se formar a placa de ateroma. O excesso de peso corporal e fatores inflamatórios elevados no organismo, como o indicador que conseguimos mensurar em exames de rotina chamado PCR ultrassensível, estão relacionados com o aumento no risco para as doenças cardiovasculares.

Portanto, é preciso cuidar do estilo de vida para normalizar tanto o peso, quanto a inflamação e os fatores que levam ao aumento do colesterol que, como vimos acima, estão totalmente ligados com os hábitos de vida.

Era preciso fazer alguma coisa para controlar a expansão da mortalidade das doenças do coração. Então surgiram as estatinas, medicamento que age na redução da produção de colesterol pelo fígado, principalmente em pacientes com alto risco de doença coronária por conta da genética.

Tratar uma pessoa apenas com estatina sem alterar todo o estilo de vida antes é como tentar concertar apenas os números do exame dela e não a real causa que leva a mortalidade aumentada.

Enquanto isso, as estatinas são a classe de medicamento que é mais vendida no mundo todo e, como todo medicamento, ela exerce efeito colateral.

Ação e efeito das estatinas

Lembram-se da enzima que produz colesterol, HMG-CoA redutase?

O principal efeito da estatina é o bloqueio da ação desta enzima, forçando o fígado a produzir menos colesterol, o que estimula a captura do LDL do sangue pelas células e também reduz os triglicerídeos circulantes.

O principal efeito colateral que pelo menos 10% das pessoas que usam estatinas possuem são problemas musculares com sintomas como dor, sensibilidade, rigidez, câimbras, fraqueza e fadiga localizada ou generalizada.

Efeito colateral

Ao inibir a HMG-coA redutase, como efeito colateral, temos a redução na produção natural de coenzima Q10, nutriente natural responsável pela energia muscular, cujo sintoma na deficiência do corpo é a dor muscular. Portanto, a suplementação de coenzima Q10, em torno de 100 mg por dia, parece essencial para pessoas que usam estatinas.

Em pessoas acima dos 50 anos de idade, não é comum alterações muito grandes nos níveis de colesterol de caráter genético, mas sim decorrentes do estilo de vida como excesso de peso, alcoolismo, tabagismo e a presença de outras doenças que influenciam nestes níveis como já falamos (hipotireoidismo, diabetes mellitus), assim como o uso contínuo de medicamentos como diuréticos e a terapia de reposição hormonal. A própria diretriz de dislipidemia (2017) aponta que nesta idade o ideal é praticar mudanças no estilo de vida antes de entrar com medicamentos, como ter uma dieta adequada e balanceada em nutrientes e calorias, prática de atividade física, abandono do hábito de fumar e de consumir bebidas alcoólicas.

Prevenção de doenças cardiovasculares é mudança em todo o estilo de vida

Hoje se sabe que a inflamação no corpo e as doenças do coração estão intimamente ligados, sendo o estilo de vida grande determinante no surgimento dessas doenças.

Portanto a terapia nutricional para o controle de doenças cardiovasculares não foca apenas no nível de colesterol em si, mas também em todos os fatores de risco. Genética não é destino, portanto temos que fazer mudanças para nos prevenir!

Confira as 11 dicas para manter distância das doenças cardiovasculares.

  1. Manter-se no peso adequado
  2. Alimentação rica em compostos antioxidantes e anti-inflamatórios (como a coenzima Q10)
  3. Equilíbrio na ingestão de sódio para evitar e/ou controlar a hipertensão
  4. Substituir parcialmente o consumo de gordura saturada por insaturada, ou seja, consumir em maior quantidade gorduras na alimentação como ômega 3 e 9 do peixe, castanhas e azeite de oliva e reduzir a gordura saturada de origem animal presente nas carnes e laticínios.
  5. Há correlação positiva entre maiores níveis sanguíneos de ômega 3 na forma de EPA e DHA com a redução do risco de doença cardiovascular e na redução do nível de triglicérides
  6. Não há necessidade de cortar ovos da sua alimentação, nem existe mais valor máximo para o consumo
  7. Evitar totalmente as gorduras do tipo trans que podem estar em produtos industrializados
  8. Controle na ingestão de açúcar e farináceos (doces, pães, massas)
  9. Incentivo à prática de atividade física que interrompe o sedentarismo e colabora para o aumento do HDL-colesterol, fator cardioprotetor
  10. A dieta do mediterrâneo, composta por vegetais, peixes ricos em ômega 3, azeite de oliva extravirgem, tubérculos e grãos integrais, pobre em alimentos industrializados, carne vermelha gordurosa e açúcar, parece ser a melhor estratégia para melhora das dislipidemias segundo as diretrizes.
  11. O aumento no consumo de fibras solúveis, presentes em alimentos como aveia (farelo) e maçã, reduz a absorção do colesterol presente nos sais biliares do intestino o que reduz o colesterol disponível para as lipoproteínas.

Vem com a gente transformar promessas em ações.
Vem 2019. Vem, Vida saudável.

Referências Bibliográficas:

WHO. World Health Organization. Cardiovascular Diseases (CVDs) 2016. Disponível em: < http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs317/en/index.html >. Acesso em: 12 dez.2018

BRASIL. Cerca de 17,5 milhões de pessoas morrem de doenças cardiovasculares todos os anos. 2016a. Disponível em: < http://www.brasil.gov.br/saude/2016/09/cerca-de-17-5-milhoes-pessoasmorrem-de-doencas-cardiovasculares-todos-os-anos >. Acesso em: 12 dez.2018

BRASIL. Sociedade Brasileira de cardiologia. Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. ISSN-0066-782X, v.109, nº 2, Supl. 1, Agosto 2017.

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The Framingham study. Disponível em: < https://www.framinghamheartstudy.org/ >. Acesso em: 12 dez.2018.

QU, H. , et al. Effects of Coenzyme Q10 on Statin-Induced Myopathy: An Updated Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Journal of the American Heart Association, v.7, n°19, setembro 2018.

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